Neste artigo
A resposta curta: o RQE é o número que o Conselho Regional de Medicina anota no seu registro profissional quando reconhece que você é especialista. Sem ele, o diploma de residência existe, mas não produz efeito público: você não pode anunciar a especialidade, não pode assinar como especialista e não entra nas tabelas de remuneração que exigem titulação. Há só duas portas — residência credenciada pela CNRM ou título de especialista de sociedade filiada à AMB — e o pedido é feito no CRM em que você tem inscrição.
55
especialidades médicas reconhecidas
64
áreas de atuação na relação vigente, desde 28/10/2026
30 dias
prazo de tramitação que os CRMs costumam indicar
Até 2
especialidades que podem ser anunciadas
É um passo administrativo curto, quase sempre adiado, e que costuma travar exatamente quando o médico já precisa dele.
O que é o RQE, em uma frase
Registro de Qualificação de Especialista é a averbação da sua especialidade no CRM. O título é emitido por quem forma — o programa de residência ou a sociedade de especialidade. O RQE é o registro desse título no conselho, e é ele que vale perante o paciente, o convênio e a fiscalização.
A distinção importa porque as duas coisas são frequentemente confundidas:
Ter certificado e não ter RQE é a situação mais comum entre recém-egressos. Do ponto de vista da norma, esse médico ainda não é especialista para efeito de divulgação.
Quais são as duas portas de entrada
A Portaria CME nº 01/2016, homologada pela Resolução CFM nº 2.148/2016, reconhece duas trajetórias, e só duas:
- Residência médica concluída em programa credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). A Lei nº 6.932/1981 define a residência como modalidade de pós-graduação sob a forma de curso de especialização, com treinamento em serviço, e seu art. 6º diz que os programas credenciados conferem título de especialista.
- Título de especialista emitido por sociedade filiada à Associação Médica Brasileira, nas condições que a Comissão Mista de Especialidades (CME) aprova. A comparação dos dois percursos, com os parâmetros que a AMB impõe aos editais, está em prova de título ou residência.
O art. 11 da mesma portaria fecha a porta a qualquer terceira via: os CRMs devem registrar apenas títulos e certificados reconhecidos pela CME e emitidos pela AMB ou pela CNRM. Certificado de curso livre, pós-graduação lato sensu de faculdade particular e diploma de entidade não reconhecida não produzem RQE — o comparativo completo está em pós-graduação não é residência, e a via de titulação de quem não fez residência, em RQE sem residência médica.
Quantas especialidades existem, de fato
A relação vigente é a da Portaria CME nº 1/2026, homologada pela Resolução CFM nº 2.472/2026, que substituiu a 2.380/2024 em 28/10/2026, data da publicação no Diário Oficial: 55 especialidades médicas e 64 áreas de atuação. As duas áreas novas são Cardiointensivismo (1 ano, com pré-requisito em Cardiologia ou Medicina Intensiva) e Medicina Marítima e Hiperbárica (1 ano, com pré-requisito em Medicina do Trabalho ou Medicina do Tráfego). As 55 especialidades mantêm os mesmos nomes.
O número de áreas de atuação é o que mais circula errado. Muita página ainda repete 59, número de relações mais antigas. A Resolução CFM nº 2.330/2023 já trazia 61 áreas de atuação, e a 2.380/2024 chegou a 62. Entre as mudanças da 2.380 estão a inclusão da Oncogenética como área de atuação vinculada a um conjunto amplo de especialidades, e a entrada de novos pré-requisitos — Medicina do Trabalho passou a ser pré-requisito para Toxicologia Médica, e Cardiologia para Medicina do Sono, por exemplo. Na Res. CFM 2.472/2026, além das duas áreas novas, Genética Médica passou a ser base de Medicina Paliativa e Geriatria, de Densitometria Óssea; e a relação passou a dizer, para cada especialidade, se o acesso é direto ou com pré-requisito, que pode ser cumprido por residência credenciada pela CNRM ou por título da AMB com RQE.
Há ainda um piso de carga horária que explica por que certos cursos nunca viram especialidade. O art. 5º da Portaria CME nº 01/2016 exige, para reconhecimento, no mínimo dois anos de formação em especialidade e um ano em área de atuação, com carga horária anual mínima de 2.880 horas.
Especialidade e área de atuação não são a mesma coisa
Área de atuação é um recorte dentro de uma ou mais especialidades, e depende delas. Não existe área de atuação solta: para certificar-se em uma, é preciso ter antes a especialidade que a portaria lista como pré-requisito.
Quem quiser entender como as especialidades se organizam entre acesso direto, pré-requisito e R+, o mapa está em acesso direto, pré-requisito e R+.
Ainda vai prestar residência ou R+?
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Como registrar: o procedimento
O pedido é feito no CRM em que você tem inscrição, presencialmente ou pelo portal CRM Virtual. O conjunto de documentos varia de conselho para conselho, e essa variação é real — não há formulário nacional único. O núcleo, porém, se repete:
- 1
Pedido no CRM
Feito no CRM em que você tem inscrição, presencialmente ou pelo portal CRM Virtual, com os documentos da tabela acima.
- 2
Análise
O pedido passa pela comissão de qualificação profissional.
- 3
Homologação
Depois da análise pela comissão de qualificação profissional, o registro vai a homologação em sessão plenária do conselho.
- 4
Emissão do número
Só então o número é emitido e anotado na carteira. Os CRMs costumam indicar prazo da ordem de 30 dias para a tramitação, mas o calendário das plenárias é o que manda na prática.
Se você já tem RQE em um estado e transfere a inscrição, não refaz o processo: solicita ao CRM de origem a certidão de registro de especialidade e apresenta no novo estado.
Quanto custa
A referência nacional para as taxas de 2026 é a Resolução CFM nº 2.447/2025. Seu art. 20 lista inscrição ou reinscrição, expedição de carteira e expedição de cédula de identidade, mas não apresenta uma linha específica de taxa para o primeiro registro de especialidade.
Isso impede tratar valores antigos de RQE como uma cobrança nacional vigente em 2026. Consulte o serviço de registro de especialidade e a tabela atual do seu CRM, distinguindo eventual expedição de documentos do registro da qualificação.
Quantas você pode registrar, e quantas pode anunciar
São perguntas diferentes, e a confusão entre elas gera infração ética com frequência.
Registrar: não há, na Portaria CME nº 01/2016, um teto de RQEs que o médico possa acumular. Quem tem três titulações válidas pode registrar as três.
Anunciar: aí existe limite. A Resolução CFM nº 2.336/2023, no art. 13, §1º, alínea f, permite ao detentor de título a divulgação de até duas especialidades e das áreas de atuação a elas relacionadas. E o art. 4º, II, exige que o anúncio traga a especialidade seguida do número do RQE.
O detalhamento das regras de anúncio — o que pode ir no carimbo, no site e no perfil — está em RQE e publicidade médica.
Situação em aberto: a disputa sobre quem pode titular
Uma entidade privada fundada em 2024, a Ordem Médica Brasileira (OMB), passou a oferecer títulos de especialista fora do sistema CFM–AMB–CNRM. Há duas frentes judiciais distintas, e elas não se confundem.
Na ação do CFM, a Justiça Federal concedeu tutela de urgência, noticiada pelo CFM em 19 de fevereiro de 2026, proibindo a OMB de ofertar título de especialista, com fundamento na Lei nº 6.932/1981 e no parágrafo único do art. 2º do Decreto nº 8.516/2015 — dispositivo que define como título de especialista apenas o concedido pelas sociedades por meio da AMB ou pelos programas de residência credenciados pela CNRM.
Em outra ação, sentença da Justiça Federal de São Paulo reconheceu que associações privadas podem realizar atividades de ensino, avaliações e emitir certificados de natureza privada, mas não reconheceu à OMB o direito de conceder título de especialista com validade oficial. A AMB discorda da interpretação e apresentou recurso de apelação em 10 de agosto de 2026, descrito como pendente no TRF-3 pela nota de 14/09/2026. Na mesma nota, de 14 de setembro de 2026, a entidade reafirmou que nada disso alterou as regras de obtenção do RQE.
Há ainda um precedente consolidado em sentido convergente, e ele trata da outra ponta do problema — o anúncio por quem tem pós lato sensu. O CFM noticiou em 23 de março de 2026 que o STJ não conheceu o agravo em recurso especial da Abramepo, mantendo o acórdão do TRF-1 segundo o qual apenas títulos obtidos por sociedade via AMB ou por residência credenciada podem ser divulgados como especialidade. O tribunal não entrou no mérito: registrou que o recurso deixou de impugrar de forma específica os fundamentos da decisão anterior.
A nota da AMB de 14/09/2026 descrevia a apelação como pendente; o andamento posterior deve ser consultado no tribunal. Esta seção é a que será revista quando houver decisão.
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Datas do ciclo
Nota metodológica. As duas vias de titulação, os limites de carga horária e a proibição de registro de títulos fora do sistema CME estão nos arts. 5º, 6º, 7º, 11 e 17 da Portaria CME nº 01/2016, anexa à Resolução CFM nº 2.148/2016, lida na íntegra no repositório de normas do CFM. A contagem de 55 especialidades e 64 áreas de atuação foi conferida em 31/10/2026 no PDF oficial da Resolução CFM nº 2.472/2026 (Portaria CME nº 1/2026), publicada no DOU de 28/10/2026, que revogou a 2.380/2024; a contagem anterior, de 62 áreas, era a da Portaria CME nº 1/2024. A lista de documentos reproduz o que um conselho estadual publica e serve como referência do núcleo comum; procuramos, sem encontrar, um rol nacional único de documentos aplicável a todos os CRMs — registramos como ausência de achado, e por isso a tabela é apresentada como núcleo, não como exigência fechada. A seção de custos foi conferida no art. 20 da Resolução CFM nº 2.447/2025, que fixa as taxas de 2026 e prevê registro simplificado e gratuito das especialidades do médico oriundo de outro CRM. Não se atribui a essa regra uma isenção geral de todos os serviços administrativos. O número do processo judicial da disputa com a OMB não consta das notas públicas do CFM e da AMB consultadas.
Atualização de 2 de outubro de 2026: Atualizada a seção de custos com a Resolução CFM nº 2.447/2025; diferenciados primeiro RQE, transferência entre CRMs e taxas de documentos. As informações judiciais acima reproduzem as notas oficiais de fevereiro e setembro de 2026; não representam consulta processual em tempo real.
Última atualização: 31 de outubro de 2026.
Referências
- Resolução CFM nº 2.148/2016 — homologa a Portaria CME nº 01/2016
- Resolução CFM nº 2.472/2026 — homologa a Portaria CME nº 1/2026 (relação vigente de especialidades e áreas de atuação; revogou a 2.380/2024)
- Resolução CFM nº 2.336/2023 — publicidade e propaganda médicas
- CFM — Comissão Mista de Especialidades: normativos
- Lei nº 6.932/1981 — dispõe sobre as atividades do médico residente
- CRM-AP — registro de especialidade e área de atuação: documentos e procedimento
- CRM Virtual — certificado de Registro de Qualificação de Especialista
- CFM — Ordem Médica Brasileira é proibida de emitir títulos de especialista, decide a Justiça
- AMB — nota oficial: esclarecimentos sobre títulos de especialista (14/09/2026)
- CFM — STJ nega seguimento a recurso da Abramepo (23/03/2026)
- Resolução CFM nº 2.447/2025 — taxas de 2026 e registro de especialidades oriundas de outro CRM (art. 20)
Perguntas frequentes
- O certificado de residência já vale como RQE?
- Não. O certificado prova a formação; o RQE é o registro dele no Conselho Regional de Medicina. Enquanto o registro não sai, o médico não pode anunciar-se como especialista, ainda que já tenha concluído o programa.
- Quais são as vias reconhecidas para obter o RQE?
- Duas: residência médica concluída em programa credenciado pela CNRM, ou título de especialista emitido por sociedade filiada à AMB. O art. 11 da Portaria CME nº 01/2016 determina que os CRMs registrem apenas títulos vindos dessas duas origens.
- Quantas especialidades e áreas de atuação o CFM reconhece hoje?
- São 55 especialidades médicas e 64 áreas de atuação, conforme a Resolução CFM nº 2.472/2026, publicada em 28 de outubro de 2026, que substituiu a 2.380/2024 (62 áreas) e incluiu Cardiointensivismo e Medicina Marítima e Hiperbárica. O número 59, ainda muito repetido, vem de relações mais antigas. A de 2023 (Resolução CFM nº 2.330/2023) já trazia 61.
- Quantos RQEs posso ter e quantos posso divulgar?
- A Portaria CME nº 01/2016 não fixa teto para quantos RQEs um médico pode acumular. Para divulgação, porém, a Resolução CFM nº 2.336/2023 permite anunciar até duas especialidades, mais as áreas de atuação relacionadas a elas.
- Quanto tempo demora o registro?
- Os conselhos costumam indicar prazo da ordem de 30 dias, mas o processo passa por análise da comissão de qualificação profissional e por homologação em sessão plenária, de modo que o calendário das plenárias influencia bastante o prazo real.
- Preciso refazer o RQE se mudar de estado?
- Não. Solicita-se ao CRM de origem a certidão de registro de especialidade e apresenta-se a documentação no CRM do novo estado, sem repetir a análise de mérito da titulação.
- Pós-graduação lato sensu gera RQE?
- Não. Especialização oferecida por instituição de ensino não é credenciada pela CNRM nem emitida pela AMB, e por isso não pode ser registrada. Ela só pode ser divulgada com a ressalva NÃO ESPECIALISTA, na forma do art. 13 da Resolução CFM nº 2.336/2023.
- Quanto custa registrar o RQE em 2026?
- O art. 20 da Resolução CFM nº 2.447/2025 não lista taxa específica para o primeiro RQE. Consulte o serviço e a tabela do seu CRM, sem confundir o registro de especialidade com taxas de inscrição e documentos. Para especialidades já registradas em outro CRM, a norma prevê procedimento simplificado e sem taxa após a inscrição no novo conselho.



