Neste artigo
A resposta curta: clínica médica é quase metade da prova de residência — 44,2% das 60.314 questões oficiais classificadas, de 234 instituições, aplicadas entre 2005 e 2026. Depois vêm cirurgia (16,3%), ginecologia e obstetrícia (14,3%), pediatria (10,9%) e preventiva (9,8%); dentro das áreas, trauma é 42,4% da cirurgia geral, e quatro assuntos somam 64,8% da preventiva. Mas a sua banca não é a média: ginecologia e obstetrícia vai de 5,4% no ENARE a 23,1% na UNESP.
44,2%
das questões classificadas são de clínica médica
42,4%
da cirurgia geral é trauma e atendimento inicial
64,8%
da preventiva cabe em quatro assuntos
5,4% a 23,1%
peso de GO entre ENARE e UNESP, de 2022 a 2026
Pergunte a dez professores de cursinho o que mais cai na prova de residência e você recebe dez listas parecidas, todas plausíveis, nenhuma com um número ao lado. A frase padrão é "esses temas não são aleatórios" — e aí vem a lista, sem contagem, sem amostra, sem período.
Este texto faz o contrário. Fomos à base do ResiProva e contamos. São 60.314 questões oficiais classificadas, de 234 instituições, aplicadas entre 2005 e 2026 — o recorte do acervo do ResiProva que já passou por classificação de área e por conferência de coerência entre enunciado, gabarito e comentário. Para cada uma existe uma grande área atribuída. O que segue é a contagem, não a impressão.
O que este levantamento é — e o que não é
Antes dos números, o combinado, porque é o que falta em todo material parecido.
A distribuição por grande área
Primeiro o mapa grosso, sobre as 60.314 questões classificadas:
Clínica médica sozinha é quase metade da prova. É o número que mais importa e o mais ignorado na hora de montar cronograma: quem divide o tempo igualmente entre as cinco grandes áreas está subestimando clínica por um fator de mais de dois.
Por que não publicamos um ranking de temas
Este é o ponto em que a maioria dos materiais entrega uma lista de vinte temas com números ao lado. Nós tínhamos essa lista. Tiramos do ar — e vale explicar por quê, porque a razão é o próprio método.
A classificação por grande área está completa: toda questão do recorte tem uma área atribuída. Já a classificação fina por tema avançou em ritmos diferentes entre as áreas:
Um ranking de temas que atravessasse todas as especialidades mediria esforço de classificação, não incidência em prova. Pneumologia apareceria quase inexistente porque 1,1% dela está classificada; preventiva apareceria inflada porque está inteira. Publicar isso seria entregar um artefato de produção com cara de dado.
Essa é exatamente a armadilha em que caímos na primeira versão deste texto: a tabela anterior vinha de um instantâneo da taxonomia anterior a uma migração de setembro de 2026, e alguns dos recortes que ela listava hoje não correspondem a nenhuma questão da base. Preferimos dizer isso do que manter números que não se reproduzem.
Onde a contagem fina já é sólida
Em treze especialidades a classificação está completa ou quase, e nelas o ranking é confiável. Os percentuais são dentro de cada especialidade, não sobre o total da prova.
Cirurgia geral — 3.867 questões classificadas, 98,1% da especialidade:
Trauma sozinho é 42% de toda a cirurgia geral. É a concentração mais extrema de todo o levantamento: o segundo colocado tem um quarto do volume do primeiro. Quem estuda cirurgia sem tratar trauma como o eixo da área está distribuindo tempo contra o dado.
Medicina preventiva e saúde coletiva — 4.452 questões, 100% classificadas:
Os quatro primeiros somam 2.885 questões, 64,8% da área. É o repertório mais previsível do levantamento — quase dois terços de preventiva cabem em quatro assuntos, e é por isso que ela costuma ser a área de maior retorno por hora de estudo.
As demais especialidades fechadas. Em cada uma, o tema de topo e o quanto ele concentra:
A leitura que atravessa a tabela: especialidades pequenas são muito mais concentradas do que parecem. Em medicina intensiva, quase seis em cada dez questões são choque e sepse. Em radiologia, nove em cada dez são indicação de método. São áreas em que estudar os dois ou três assuntos de topo cobre a maior parte do que será cobrado — o oposto da estratégia de varredura que costuma ser recomendada para elas.
A média não descreve nenhuma banca
O recorte mais útil não é por tema — é por banca. Separando as 27.000 questões de 2022 a 2026 por quem aplicou a prova, a variação é grande o bastante para mudar cronograma:
Ginecologia e obstetrícia varia de 5,4% a 23,1% — um fator de mais de quatro. A tabela completa, com onze bancas, está em o que mais cai em cada banca.
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O que mudou de 2022 para cá
A distribuição não é estática. Separando por período — e agora sobre as 60.314 classificadas:
Quatro movimentos, todos contra-intuitivos em relação ao que se costuma ouvir:
Clínica e cirurgia cresceram. Juntas passaram de 60,5% para 66,2% das questões recentes.
Pediatria e GO encolheram em participação relativa — pediatria caiu de 10,9% para 7,5%.
Temas complementares quase dobraram, de 2,7% para 5,2%. É o efeito das questões com imagem e das de genética, que cresceram nas provas dos últimos ciclos. Se você quer entender esse movimento, como estudar imagem para a prova trata dele em detalhe.
Psiquiatria saiu do irrelevante. De 1,8% para 2,7% — ainda pequena, mas 50% maior em participação.
Como usar isso sem virar refém da estatística
O erro previsível ao ler uma tabela dessas é transformá-la em ordem de estudo. Não é para isso que ela serve.
- 1
Frequência define o piso, não a prioridade
Um tema com 1.500 questões que você acerta 85% das vezes não merece mais tempo. Um tema com 300 questões que você acerta 40% merece. A conta que importa é frequência × sua taxa de erro — e essa segunda metade só o seu próprio histórico responde. O raciocínio completo está em como estudar para a residência médica.
- 2
A sua banca não é a média
Esta tabela é o agregado de 234 instituições. Se a sua prova é uma banca específica, o recorte dela é o que vale — e a distribuição pode ser bem diferente da média nacional, especialmente em preventiva, onde bancas estaduais cobram a política de saúde local.
- 3
Use a tabela para decidir o que cortar, não o que incluir
Todo mundo já estuda trauma e diabetes. O ganho está em perceber que trauma sozinho é 42% da cirurgia geral classificada, que quatro assuntos respondem por quase dois terços da preventiva, e que a sua banca pode cobrar ginecologia e obstetrícia quatro vezes mais — ou quatro vezes menos — do que a média nacional sugere.
No ResiProva, dá para filtrar exatamente esses recortes e ver a sua própria taxa de acerto em cada um, que é a metade da conta que falta aqui. Os critérios para avaliar qualquer plataforma estão no comparativo de bancos de questões.
O que estes números não dizem
Três limites, ditos com todas as letras.
Não é nota de corte nem dificuldade. A contagem diz quantas vezes um tema apareceu, não quantos candidatos erraram.
Não substitui o edital da sua banca. Mudança de formato muda distribuição. O ENARE de acesso direto, por exemplo, passou a ser avaliado pelo ENAMED, com matriz própria de sete áreas — o que altera o peso relativo em relação a uma prova de banca própria. O calendário 2027 traz o que cada banca confirmou neste ciclo.
A taxonomia é nossa. Outro corte de temas produziria outros números. Publicamos os rótulos exatos justamente para que a contagem seja verificável e discutível, em vez de uma lista de assuntos sem origem.
Descubra a sua taxa de erro em cada tema
A conta que importa é frequência × sua taxa de erro. No Pro do ResiProva, você tem questões ilimitadas, simulados personalizados e flashcard automático a cada erro, por R$ 29 por mês ou R$ 290 por ano, sem fidelidade.
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Nota metodológica. Levantamento próprio na base do ResiProva, com dados extraídos em 21 de setembro de 2026. A contagem por grande área cobre 60.314 questões de provas oficiais de 234 instituições, aplicadas entre 2005 e 2026, classificadas por área e aprovadas em conferência de coerência entre enunciado, gabarito e comentário — o recorte já classificado e conferido dentro do acervo de 122.569 questões distintas do ResiProva, que cobre 239 instituições; a diferença de cinco bancas são instituições que ainda não têm questões neste recorte. Os rankings por tema são apresentados apenas para as treze especialidades cuja classificação fina está em 90% ou mais, com percentuais calculados dentro de cada especialidade. Não publicamos ranking de temas atravessando especialidades porque a cobertura é desigual — de 1,1% em pneumologia a 100% em preventiva — e a tabela mediria esforço de classificação em vez de incidência em prova. Uma versão anterior deste texto trazia esse ranking, calculado sobre um instantâneo da taxonomia anterior à migração de setembro de 2026; ele foi retirado por não se reproduzir na base atual. Percentuais calculados sobre o denominador declarado em cada tabela. Os cortes por período usam o ano de aplicação da prova. Amostra não é censo: a distribuição reflete a composição do acervo indexado e bancas com mais edições indexadas pesam mais no agregado.
Última atualização: 21 de setembro de 2026.
Referências
- Resolução CNRM nº 17, de 21 de dezembro de 2022 — normas do processo seletivo
- Inep — ENAMED: matriz de referência e notas técnicas
- MEC — Residência Médica: resoluções da CNRM
- Dunlosky et al. (2013) — Improving Students Learning With Effective Learning Techniques
- Rowland (2014) — Meta-analytic review of the testing effect
- Nota Técnica Inep nº 19/2025 — desempenho esperado e nota de corte do ENAMED
- Inep — Legislação do ENAMED (Portaria MEC nº 330/2025)
Perguntas frequentes
- O que mais cai na prova de residência médica?
- Por grande área, clínica médica lidera com 44,2% das 60.314 questões classificadas. Não publicamos ranking de temas atravessando especialidades, porque a classificação fina tem cobertura desigual, de 1,1% em pneumologia a 100% em preventiva. Onde ela está completa, há temas dominantes: trauma e atendimento inicial responde por 42,4% da cirurgia geral, e choque e sepse por 57,9% da medicina intensiva.
- Qual grande área tem mais questões na prova de residência?
- Clínica médica, com folga: 26.673 de 60.314 questões classificadas, ou 44,2% do total. Cirurgia vem em seguida com 16,3%, ginecologia e obstetrícia com 14,3%, pediatria com 10,9% e medicina preventiva com 9,8%.
- Qual o tema mais cobrado em pediatria?
- Pediatria não está entre as especialidades com classificação fina em 90% ou mais, por isso não publicamos ranking de temas da área. Por grande área, pediatria responde por 10,9% das 60.314 questões classificadas e por 7,5% das questões de 2022 a 2026.
- Qual o tema mais cobrado em cirurgia?
- Em cirurgia geral, trauma e atendimento inicial, com 1.641 de 3.867 questões classificadas (42,4%). O segundo colocado, coloproctologia, tem 441 questões (11,4%).
- A distribuição dos temas mudou nos últimos anos?
- Sim. Comparando o acervo completo (2005–2026) com as questões de 2022 a 2026: clínica médica subiu de 44,2% para 46,3%, cirurgia de 16,3% para 19,9%, temas complementares (imagem e genética) quase dobraram de 2,7% para 5,2% e psiquiatria foi de 1,8% para 2,7%. Pediatria e ginecologia/obstetrícia caíram em participação relativa.
- Devo estudar na ordem dos temas mais cobrados?
- Não. Frequência define o piso, não a prioridade. A conta que importa é frequência multiplicada pela sua própria taxa de erro: um tema muito cobrado que você já acerta não merece mais tempo, e um tema médio que você erra merece. A tabela serve melhor para decidir o que cortar do que o que incluir.
- Esses números valem para a minha banca?
- São o agregado de 234 instituições. Se você presta uma banca específica, o recorte dela é o que vale — a distribuição pode diferir bastante da média nacional, sobretudo em medicina preventiva, onde bancas estaduais cobram política de saúde local.



