Blog
Método de estudo21 de setembro de 2026 9 min IA + revisão editorial

O que mais cai na prova de residência médica: a contagem em 60.314 questões

Não é opinião de professor. É a contagem tema por tema do que 234 bancas cobraram entre 2005 e 2026 — e o que mudou nos últimos anos.

Ranking visual dos temas mais cobrados em 60.314 questões de residência médica

Pergunte a dez professores de cursinho o que mais cai na prova de residência e você recebe dez listas parecidas, todas plausíveis, nenhuma com um número ao lado. A frase padrão é "esses temas não são aleatórios" — e aí vem a lista, sem contagem, sem amostra, sem período.

Este texto faz o contrário. Fomos à base do ResiProva e contamos. São 60.314 questões oficiais classificadas, de 234 instituições, aplicadas entre 2005 e 2026 — o recorte do acervo do ResiProva que já passou por classificação de área e por conferência de coerência entre enunciado, gabarito e comentário. Para cada uma existe uma grande área atribuída. O que segue é a contagem, não a impressão.

O que este levantamento é — e o que não é

Antes dos números, o combinado, porque é o que falta em todo material parecido.

A amostra. 60.314 questões de provas reais, classificadas por área e conferidas quanto à coerência entre enunciado, gabarito e comentário. O recorte por tema usa o subconjunto de 34.508 questões já atribuídas a um dos 184 recortes temáticos da nossa taxonomia — um recorte é um assunto fechado, do tamanho de um capítulo, não uma especialidade inteira.

O viés que existe. A distribuição reflete o que as provas que indexamos cobraram. Não é um censo de todas as provas do país, e bancas com mais edições indexadas pesam mais no total. Onde isso muda a leitura, está dito.

O que a contagem não mede. Frequência não é dificuldade, e não é rendimento. Um tema que cai muito e que você já domina não merece mais uma hora de estudo. Voltamos a isso no fim.

A distribuição por grande área

Primeiro o mapa grosso, sobre as 60.314 questões classificadas:

Grande áreaQuestões% do total
Clínica médica26.67344,2%
Cirurgia9.81216,3%
Ginecologia e obstetrícia8.63114,3%
Pediatria6.54510,9%
Medicina preventiva e saúde coletiva5.9319,8%
Temas complementares (imagem, genética)1.6532,7%
Psiquiatria1.0691,8%

Clínica médica sozinha é quase metade da prova. É o número que mais importa e o mais ignorado na hora de montar cronograma: quem divide o tempo igualmente entre as cinco grandes áreas está subestimando clínica por um fator de mais de dois.

Os 20 temas mais cobrados

Agora o recorte fino, sobre as 34.508 questões já atribuídas a um tema:

#TemaÁreaQuestões%
1Trauma e atendimento inicialCirurgia1.5684,5%
2NeonatologiaPediatria1.3253,8%
3Atenção primária e redes de atençãoPreventiva8412,4%
4Diabetes mellitus e complicações agudasClínica7792,3%
5Abdome agudoCirurgia7052,0%
6Oncologia ginecológica e rastreamentoGO6621,9%
7Aleitamento e nutrição infantilPediatria6471,9%
8Crescimento, desenvolvimento e puericulturaPediatria6431,9%
9Mastologia e rastreamento mamárioGO6371,8%
10Síndromes hipertensivas da gestaçãoGO6151,8%
11Princípios e organização do SUSPreventiva5961,7%
12Doença arterial coronarianaClínica5881,7%
13Cirrose e hipertensão portalClínica5751,7%
14Bioestatística e medidas de associaçãoPreventiva5461,6%
15Hemorragia obstétrica e puerpérioGO4781,4%
16Emergência pediátricaPediatria4401,3%
17Vias biliares e pâncreasCirurgia4301,2%
18Trabalho de parto e vitalidade fetalGO4141,2%
19Pâncreas e vias biliaresClínica4031,2%
20Insuficiência cardíacaClínica3971,2%

Uma observação sobre as posições 17 e 19: "Vias biliares e pâncreas" (cirurgia) e "Pâncreas e vias biliares" (clínica) são recortes distintos da taxonomia, não repetição — o primeiro cobra colecistite, coledocolitíase e conduta operatória; o segundo, pancreatite aguda, colestase e manejo clínico. A coluna "Área" separa os dois.

Três leituras que saltam da tabela.

Trauma é o tema mais cobrado do país, com folga. 1.568 questões — mais que o dobro do segundo colocado dentro da cirurgia. Trauma sozinho responde por quase um quarto de toda a cirurgia contada aqui.

Neonatologia é a pediatria. 1.325 das 3.698 questões de pediatria com tema atribuído — mais de um terço. Quem estuda pediatria começando por pneumonia da infância está começando pelo lugar errado.

Preventiva é mais previsível do que parece. Os quatro primeiros temas — atenção primária, princípios do SUS, bioestatística e vigilância — concentram 2.354 questões. É a área onde o retorno por hora de estudo é mais alto, porque o repertório se repete entre bancas.

Clínica médica por dentro

Como clínica é 44% da prova, vale abrir:

TemaQuestões
Diabetes mellitus e complicações agudas779
Doença arterial coronariana588
Cirrose e hipertensão portal575
Pâncreas e vias biliares403
Insuficiência cardíaca397
Tireoide380
Choque e sepse357
Hipertensão arterial e prevenção cardiovascular347
Esôfago: DRGE, Barrett e acalasia340

Cardiologia e endocrinologia disputam a liderança, e gastroenterologia aparece três vezes entre as nove primeiras — cirrose, pâncreas e esôfago somam 1.318 questões, mais que qualquer tema isolado de cardiologia. É um desequilíbrio que quase nenhum cronograma de cursinho reflete.

Cirurgia, GO e pediatria

CirurgiaQGOQPediatriaQ
Trauma e atendimento inicial1.568Oncologia ginecológica662Neonatologia1.325
Abdome agudo705Mastologia e rastreamento637Aleitamento e nutrição647
Vias biliares e pâncreas430Síndromes hipertensivas615Crescimento e puericultura643
Coloproctologia358Hemorragia obstétrica478Emergência pediátrica440
Hérnias da parede abdominal352Trabalho de parto414Infecções na infância309
Cirurgia pediátrica289Prematuridade e alto risco393Diarreia e hidratação177

Em cirurgia, os cinco primeiros temas somam 3.413 das 6.657 questões da área — mais da metade em cinco assuntos. Em GO, os dois primeiros são de rastreamento, não de urgência: oncologia ginecológica e mastologia somam 1.299 questões, à frente das duas principais urgências obstétricas somadas — síndromes hipertensivas e hemorragia obstétrica, 1.093.

O que mudou de 2022 para cá

A distribuição não é estática. Separando por período — e agora sobre as 60.314 classificadas:

Grande áreaAcervo completo (2005–2026)Só 2022–2026
Clínica médica44,2%46,3%
Cirurgia16,3%19,9%
Ginecologia e obstetrícia14,3%10,5%
Medicina preventiva9,8%7,9%
Pediatria10,9%7,5%
Temas complementares2,7%5,2%
Psiquiatria1,8%2,7%

Quatro movimentos, todos contra-intuitivos em relação ao que se costuma ouvir:

Clínica e cirurgia cresceram. Juntas passaram de 60,5% para 66,2% das questões recentes.

Pediatria e GO encolheram em participação relativa — pediatria caiu de 10,9% para 7,5%.

Temas complementares quase dobraram, de 2,7% para 5,2%. É o efeito das questões com imagem e das de genética, que cresceram nas provas dos últimos ciclos. Se você quer entender esse movimento, como estudar imagem para a prova trata dele em detalhe.

Psiquiatria saiu do irrelevante. De 1,8% para 2,7% — ainda pequena, mas 50% maior em participação.

Uma ressalva honesta: parte dessa variação vem da composição do acervo por período, não só da mudança de comportamento das bancas. O movimento de temas complementares e psiquiatria é consistente o bastante para confiar; a queda de pediatria deve ser lida com mais cautela.

Como usar isso sem virar refém da estatística

O erro previsível ao ler uma tabela dessas é transformá-la em ordem de estudo. Não é para isso que ela serve.

Frequência define o piso, não a prioridade. Um tema com 1.500 questões que você acerta 85% das vezes não merece mais tempo. Um tema com 300 questões que você acerta 40% merece. A conta que importa é frequência × sua taxa de erro — e essa segunda metade só o seu próprio histórico responde. O raciocínio completo está em como estudar para a residência médica.

A sua banca não é a média. Esta tabela é o agregado de 234 instituições. Se a sua prova é uma banca específica, o recorte dela é o que vale — e a distribuição pode ser bem diferente da média nacional, especialmente em preventiva, onde bancas estaduais cobram a política de saúde local.

Use a tabela para decidir o que cortar, não o que incluir. Todo mundo já estuda trauma e diabetes. O ganho está em perceber que gastroenterologia clínica pesa mais que cardiologia isolada, ou que rastreamento em GO vale mais que obstetrícia de urgência — decisões que o cronograma padrão erra.

No ResiProva, dá para filtrar exatamente esses recortes e ver a sua própria taxa de acerto em cada um, que é a metade da conta que falta aqui. Os critérios para avaliar qualquer plataforma estão no comparativo de bancos de questões.

O que estes números não dizem

Três limites, ditos com todas as letras.

Não é nota de corte nem dificuldade. A contagem diz quantas vezes um tema apareceu, não quantos candidatos erraram.

Não substitui o edital da sua banca. Mudança de formato muda distribuição. O ENARE de acesso direto, por exemplo, passou a ser avaliado pelo ENAMED, com matriz própria de sete áreas — o que altera o peso relativo em relação a uma prova de banca própria. O calendário 2027 traz o que cada banca confirmou neste ciclo.

A taxonomia é nossa. Outro corte de temas produziria outros números. Publicamos os rótulos exatos justamente para que a contagem seja verificável e discutível, em vez de uma lista de assuntos sem origem.


Nota metodológica. Levantamento próprio na base do ResiProva, com dados extraídos em 21 de setembro de 2026. A contagem por grande área cobre 60.314 questões de provas oficiais de 234 instituições, aplicadas entre 2005 e 2026, classificadas por área e aprovadas em conferência de coerência entre enunciado, gabarito e comentário — o recorte já classificado e conferido dentro do acervo de 122.569 questões distintas do ResiProva, que cobre 239 instituições; a diferença de cinco bancas são instituições que ainda não têm questões neste recorte. O ranking por tema cobre o subconjunto de 34.508 questões já atribuídas a um dos 184 recortes temáticos da taxonomia editorial, distribuídos em 7 grandes áreas. Percentuais calculados sobre o denominador declarado em cada tabela. Os cortes por período usam o ano de aplicação da prova. Amostra não é censo: a distribuição reflete a composição do acervo indexado e bancas com mais edições indexadas pesam mais no agregado.

Última atualização: 21 de setembro de 2026.

#o que mais cai na prova de residência#temas mais cobrados#residência médica#estatística de provas#cronograma de estudo#banco de questões

Perguntas frequentes

O que mais cai na prova de residência médica?
Na contagem de 34.508 questões atribuídas a tema, o assunto mais cobrado é trauma e atendimento inicial (1.568 questões, 4,5%), seguido de neonatologia (1.325), atenção primária e redes de atenção (841), diabetes mellitus e complicações agudas (779) e abdome agudo (705).
Qual grande área tem mais questões na prova de residência?
Clínica médica, com folga: 26.673 de 60.314 questões classificadas, ou 44,2% do total. Cirurgia vem em seguida com 16,3%, ginecologia e obstetrícia com 14,3%, pediatria com 10,9% e medicina preventiva com 9,8%.
Qual o tema mais cobrado em pediatria?
Neonatologia, e não é perto: 1.325 questões, mais de um terço de toda a pediatria com tema atribuído. Depois vêm aleitamento e nutrição infantil (647) e crescimento, desenvolvimento e puericultura (643).
Qual o tema mais cobrado em cirurgia?
Trauma e atendimento inicial, com 1.568 questões — mais que o dobro do segundo colocado, abdome agudo (705). Os cinco primeiros temas de cirurgia somam mais da metade das questões da área.
A distribuição dos temas mudou nos últimos anos?
Sim. Comparando o acervo completo (2005–2026) com as questões de 2022 a 2026: clínica médica subiu de 44,2% para 46,3%, cirurgia de 16,3% para 19,9%, temas complementares (imagem e genética) quase dobraram de 2,7% para 5,2% e psiquiatria foi de 1,8% para 2,7%. Pediatria e ginecologia/obstetrícia caíram em participação relativa.
Devo estudar na ordem dos temas mais cobrados?
Não. Frequência define o piso, não a prioridade. A conta que importa é frequência multiplicada pela sua própria taxa de erro: um tema muito cobrado que você já acerta não merece mais tempo, e um tema médio que você erra merece. A tabela serve melhor para decidir o que cortar do que o que incluir.
Esses números valem para a minha banca?
São o agregado de 234 instituições. Se você presta uma banca específica, o recorte dela é o que vale — a distribuição pode diferir bastante da média nacional, sobretudo em medicina preventiva, onde bancas estaduais cobram política de saúde local.
Free para sempre · Pro por menos de R$1/dia

Comece grátis.
Evolua quando quiser.

Comece grátis, evolua quando sua preparação pedir ritmo de prova. Assine o Pro para desbloquear tudo — por menos de R$1 por dia, com 7 dias para estorno integral.

Começar agora
Sem cartão · Free ilimitado no tempo · Do R1 ao R+